14 outubro 2010

Consulta + Fnac + Frans Café = Confissão.

Como fazer de um compromisso banal uma diversão? Vá de bike! Pode parecer simples, mas funciona todas as vezes. Eu garanto!
Hoje eu tinha uma consulta com o competentíssimo (e querido) psiquiatra Dr. Gamaliel Macedo que, junto com minha terapeuta, também uma querida, a Olga Joveleviths, me ajudou a combater uma depressão que insistia em querer me levar pro buraco de vez, desde o ano passado. É isso mesmo, minha gente. Há um ano atrás eu não dava um sorriso sequer, estava mergulhada numa tristeza profunda, vivendo um dos piores momentos da minha vida, com todo tipo de decepção que você possa imaginar.
Não fosse a ajuda desses dois profissionais, eu não estaria aqui hoje, andando de bike para cima e para baixo, cuidando da minha vida e do meu filho, trabalhando e produzindo meus desenhos a todo vapor.
É difícil superar essa situação. É difícil aceitar, contar para os amigos e, ainda mais difícil, admitir publicamente algo que é tão pessoal. Se o faço agora, é porque acredito que: 1- Essa confissão é mais uma etapa da minha cura, assim como os remédios tiveram sua importância, como os desenhos me serviram como válvula de escape e a bicicleta como fornecedora de endorfina e geradora de novos horizontes, interesses e amizades; e 2- Falar disso aqui pode ajudar alguém que esteja numa situação parecida com a minha há um ano atrás. Eu sempre digo que, ao invés de ficar falando, prefiro fazer e dar o exemplo, pois acho bem mais eficiente e convincente.
Não pensem que é fácil abrir o jogo sobre um assunto que ainda é tabu, como a depressão. Principalmente porque o faço para meus leitores que são, em sua grande maioria, desconhecidos que não têm a menor ideia de quem eu sou, do que vivi antes de começar este blog, ou do que acontece quando não estou pedalando alegremente pelas ruas de São Paulo na minha linda LadyBike.
Mas é bom espanar um pouco a poeira do preconceito e contar as boas novas: há como sair do buraco, sim! Mas não vou mentir: é preciso ter muita força de vontade, se entregar nas mãos dos médicos e confiar. Se você tem fé em Deus, apegue-se a ele também, que não custa nada. Mas também procure ajuda no mundo dos vivos, pois é aqui que a batalha se desenrola, um dia por vez, durante meses a fio.
Enfim, esse foi, como se diz no Twitter, um momento #prontofalei!
Depois da consulta com o Dr.Gama, resolvi passar na Fnac para comprar umas revistas, material de primeira necessidade para o bom desenvolvimento do meu trabalho de ilustradora. Ah, você não sabia que eu sou ilustradora? Pois é isso que eu faço para viver e pagar as contas. Quando der, dê uma olhada no meu portfólio ou no meu outro blog, que aliás, também está concorrendo ao Prêmio Top Blog junto com o Minha Vida Eco-Chic. Se quiser aproveitar para votar, a mocinha aqui agradece, toda sorridente!
Bem, revistas na mão, hora fazer um lanchinho no Frans Café. mas tem que ser café gelado, porque o expresso de lá é horrível. Hoje tomei um Franpuccino Mocha (será que era esse o nome?) que estava delicioso. Para acompanhar um pão de queijo (tipo puxa-puxa), que eu sempre me arrependo de comer alguns minutos depois, assim que a azia se manifesta, sorrateira. Como é que uma cafeteria brasileira pode errar em duas coisas tão básicas quanto café expresso e pão de queijo? Eu não entendo! Mas enfim, valeu a pausa no meio da tarde, uma olhadinha rápida nas revistas, e alguns minutos de "people watching", meu segundo esporte favorito, precedido por pedalar minha bicicleta, e seguido de perto pela natação e levantamento de copo de vinho ou chopp, dependendo do clima e do horário. Tudo tem que ser acompanhado com risadas, muitas risadas, porque sem elas eu não existo.
Depois do café, ao invés de fazer o caminho de sempre pelo meio da Vila Madalena, resolvi mudar um pouco e subi a Rua dos Pinheiros, para ficar vendo as vitrines. Cheguei em casa sã e salva, um pouco mais confiante do que quando saí e com o nível de endorfina alto. Ou seja, feliz da vida.
Beijokas da Fernanda.

Alerta da calça jeans: essas coxas estão ficando grossas!
Vendo revista no jardim enquanto esperava para ser atendida.
Meu peixinho da sorte, estava "perdido" na gaveta de bijoux.
LadyBike estranhou estar na Fnac sem os Olavo Bikers.
Vogue America. A Carey Mulligan (do filme "Educação") está linda na capa.
Doce momento: Franpuccino, revistas e a LadyBike ao fundo.
Surpresa para o filhote: kit do Club Penguin com livros e bolsa. Ele vai amar!
Corajosa: lado a lado com os carros na Av. Henrique Schaumann.
Chegar bem é o que importa. :)

O mapa do itinerário de hoje. Em azul a ida. Em rosa e verde, a volta.

7 comentários:

Rodrigo Gonçalves disse...

Fernanda, mais uma vez eu apareço aqui e repito: Adoro seu blog! Amo ver suas aventuras e admiro sua coragem em tudo que você faz! Virei seu fã! Inspirei-me em você e decidi fazer um blog sobre minhas aventuras de bike também. Vou te imitar em algumas coisas (se você me permite....Tô pedindo sua "benção"eheh)e escrever coisas mais afins a minha área de atuação (Arquitetura e Design). Pedalo pelas ruas de Florianópolis com uma dobrável aro 16 (e já encomendei uma dobrável aro 24). Quando tiveres um tempinho ficaria honrado com sua visita: www.parentesesurbano.blogspot.com
Beijão e muita luz em sua vida, em sua vida eco-chic :)

Nino Coutinho disse...

Legal, Fernanda, eu tenho uma tendência forte a me expor bastante, especialmente via internet, e realmente não sei se, vivendo o que vc relatou, encararia "abrir o jogo". Admiro sua disposição. Acredito que é com esse tipo de atitude q pessoas com o mesmo problema que o seu serão capazes de superá-lo (claro que poderão só ter condições após uma certa etapa) e, como vc disse, "espanar a poeira do preconceito". Confesso que também não entendo muito bem esse "mal", e sempro receio qndo alguém bem próximo começa com alguns sintomas, fala q está tomando um remedinho... num quero isso pra ninguém, não. De toda forma, acho q vc está no caminho certo e canalizou certas energias pra algo muito, muito bacana!! Boa sorte e estamos aqui de olho em vc, não vá escorregar do salto, ou do pedal!!!!

Lady Guedes disse...

Caros Rodrigo e Nino.
Obrigada pelos comentários carinhosos e pela força!
Bjks
Fernanda

Rogério Leite disse...

LG... vc tem razão, faz parte da cura "abrir o jogo". Eu tb já tive um começo de depressão, sem coragem de sair da cama, naquela de ficar sem saber o que fazer, como liquidar tantas dívidas, resolver tantos problemas, tudo que queria era ficar ali, no sofá, "sofrendo". Mas percebi a tempo e tratei de "rodar o pernambucano"! Sentei, enfrentei o problema e graças a Deus, em 3 anos, consegui inverter a situação! Mesmo assim guardo na mente os alertas que a vida te dá que a DEPRê se aproxima e não me deixo entrar nela! Como sempre, seus posts são ótimos!

Luiz Dranger disse...

Fernanda,
Estive lá na FNAC de bike um pouco antes de voce. Amanhã eu vou levar a capa p/vc na USP as 9:30hs na USP. Não enviei p/oseu email pq não estou em casa.
Abr, Luiz

Lady Guedes disse...

Rogério,
Fico contente em saber que vc está bem, mas é bom que as pessoas saibam que nem todo mundo que fica deprimido, se joga num sofá e fica prostrado. Eu "funcionava normalmente": acordava todos os dias, me forçava a sair da cama, cuidava do trabalho e dos meus afazeres de dona-de-casa e mãe. Quem me via jamais imaginaria o que eu estava passando.
Era uma luta diária e eu contabilizava cada pequena vitória sempre que conseguia me deitar à noite para dormir, sem ter desistido no meio do caminho.
Os americanos têm uma expressão muito boa para definir o que tentei fazer neste post que é "raise awareness". Não saberia traduzir bem, mas sei que é muito importante prestar atenção aos sinais, não só em nós mesmos como nos amigos e familiares; e procurar ajuda profissional.
Mas o mais importante de tudo é não ter vergonha de assumir um diagnóstico de depressão.
Depressão é uma dor, muito intensa e devastadora, só que atinge um órgão invisível, a alma. Se ninguém tem vergonha de ter dor de cabeça, então não há porque se envergonhar de estar deprimido. E muito menos de procurar ajuda.
Bjks
Fernanda.

Anônimo disse...

Admiravel atitude. Parabens.